A idade criativa, a impressão 3D e as novas indústrias

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3 anos atrás

A idade criativa

As instituições de ensino – primário, secundário e superior têm examinado como será a formação das pessoas no futuro. Essa formação tem vários eixos que não têm estado presentes até hoje na educação. Um dos eixos principais é a criatividade num tempo que está a ser apelidado como o da Idade Criativa. O ensino tem sido muito baseado, maioritariamente, na transmissão-reprodução de conhecimento.

Recentemente, um dos responsáveis da OCDE dizia, justamente, que em Portugal ainda não nos tínhamos adaptado à formação do século XXI. Ainda não tínhamos incorporado a capacidade de definição de problemas nos nossos currículos. O ensino assenta ainda na resolução de problemas bem definidos.

Um segundo eixo da formação na Idade Criativa é humanístico. Passou a ser vital saber contar histórias.

A nossa geração foi educada a contar histórias no meio escrito, mas hoje existem novos meios. Numa cadeira da Universidade do Texas, em Austin, os alunos foram desafiados a verem a reportagem sobre o assassinato do Presidente Kennedy e a imaginarem como essa reportagem seria hoje, na idade do Twitter, Facebook, da realidade virtual e da realidade aumentada.

O terceiro eixo é o “saber fazer”. Curiosamente, ao longo dos anos, o ensino tem evoluído no sentido em que professores e estudantes formulam e resolvem problemas sem recurso a ferramentas físicas. Não ensinam e não aprendem a criar produtos. Esta componente está relacionada com o surgimento da “Cultura Maker”, e do aparecimento dos novos laboratórios de fabricação, que ligam o digital ao físico. Nestes laboratórios, as impressoras 3D são um elemento central.

 

A impressão 3D

A impressão 3D permite criar soluções para vários mercados verticais. Na UNL, e também em empresas associadas, temos utilizado a impressão 3D para criar, rapidamente, protótipos de novos produtos. O Aqua Scooter para transportar mergulhadores é um de vários exemplos de futuros produtos que utilizaram a impressão 3D na fase de prototipagem, criados na empresa Azorean (http://azorean.eu).

 

 

A empresa The Inventors (http://theinventors.io) criou um Sim City físico, em que a maquete de edifícios urbanos é integralmente impressa em 3D. Os edifícios têm sensores e atuadores, e o impacto das políticas urbanas é visualizado através de cores como a Figura seguinte demonstra.

As impressoras 3D estão hoje disponíveis em escolas dos diversos graus de ensino, Fab Labs e Centros ligados à indústria em todo o país. Nestes locais, as impressoras 3D coabitam com máquinas de corte a laser que se têm revelado igualmente úteis na criação de protótipos e produção de pequenas séries de produtos.

 

As novas indústrias – O projeto Magical Industry Tour

Os três eixos da Idade Criativa – criatividade, saber contar histórias e fabricação – estão a ser financiados de uma forma inovadora. A possibilidade de criar protótipos através da fabricação pessoal, utilizando impressoras 3D e máquinas de corte a “laser”, e depois a sua conversão em futuros produtos, está a ser acelerada porque existem plataformas de crowdfunding.

O estímulo ao empreendedorismo tem contribuído para que se elaborem, muitas vezes, planos de negócio sobre nada. Um novo projecto denominado Magical Industry Tour, conduzido pela AIP e que apoio, pretende recuar um passo: devemos estimular a criação de novas ideias que se transformem em protótipos e eventualmente produtos.

O crowdfunding, nomeadamente via plataformas globais como o Kickstarter e o Indiegogo, permite testar a viabilidade, expor globalmente e financiar o desenvolvimento destes produtos. Antes de criarmos empreendedores, estimulemos os inventores. Depois os resultados destes processos podem ser absorvidos pelas indústrias que já existem, ou ser a base para a criação de novas empresas.

Os países que melhor perceberem as alterações que têm de ser realizadas na educação, e as oportunidades existentes devido às novas formas de financiamento e fabricação são aqueles que vão triunfar no mundo atual.

Em Portugal há várias áreas estratégicas, em que a adoção dos princípios da Idade Criativa pode gerar resultados revolucionários. O setor do mar é paradigmático. Se as nossas crianças começarem nas escolas a imaginar a exploração dos oceanos, utilizando analogias com a exploração espacial, Portugal poderá criar os veículos marinhos do futuro, por exemplo.

Podemos criar um movimento nacional de construção de uma visão coletiva no mar e em outros setores, começando-o nas escolas.

Ao contrário do passado estamos à beira de uma revolução descentralizada. Não se trata de uma revolução ditada a partir do Terreiro do Paço. Qualquer pessoa, de Bragança a Vila Real de Santo António, pode ter uma ideia, lançá-la e criar algo inovador.

Ao contrário da visão fatalista, de que os nossos filhos vão para o exterior trabalhar nas multinacionais, podemos adotar uma visão distinta: vamos criar, em Portugal, as multinacionais e os artesãos do futuro. Os portugueses vão viver e trabalhar nas suas localidades, mas o seu mercado é global.

Este é um dos objetivos centrais do projeto Magical Industry Tour, que pretende conciliar exemplarmente os princípios da Idade Criativa e as novas formas de fabricação.

 

4 comentários

  1. Fernando Oliveira

    Um Artigo Excepcional.!
    Não tinha conhecimento, desta Excelente iniciativa da AIP que, pretende instalar no nosso meio uma cultura de implementação das novas ideias, em substituição da discussão atual, sem resultados práticos que, só ensaios com protótipos e, “Pilot prodution” podem rapidamente validar.

    Neste Artigo, é importante a estratégia proposta pela AIP, com o projeto “Magical Industry Tour” que, pretende conciliar exemplarmente; os princípios da Idade Criativa e, as Novas Formas de Fabricação.

  2. ruimanuelloureiro

    Muito obrigado pela partilha.

  3. Américo Costa

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