Motivação & Produtividade

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2 anos atrás

Vivemos num tempo em que toda a gente trabalha muito, é frequente ouvir dizer, “Tenho muito trabalho, nem sei por onde me virar”. Se trabalhamos assim tanto, e admito que sim, onde é que está a visibilidade desse trabalho, o fruto desse esforço tremendo? Será que esse trabalho está a ser desenvolvido de forma correta? Não será possível todos nós labutarmos menos e produzirmos muito mais?

 

Como profissionais assumimos, normalmente de forma plena, as responsabilidades inerentes à nossa função e somos sempre muito ciosos e não gostamos de ingerência no nosso espaço de trabalho e logo aí se encontra talvez uma das fortes razões da nossa baixa produtividade. Qualquer trabalho que tenhamos que executar se contarmos somente com o nosso esforço, com o nosso conhecimento o resultado final nunca será muito relevante, somos todos humanos, não temos uma capacidade sobrenatural, nem um conhecimento olímpico, por isso o nosso trabalho, por muito que nos esforcemos, será sempre um trabalho de um mero ser humano, ou seja reduzido. O que pode ser atualmente trabalhar muito e produzir ainda mais? É dispor de um conjunto de pessoas, que podem não estar ligadas a nós pela mesma entidade empregadora, mas que nos podem auxiliar pontualmente em picos de trabalho que nos acontecem. Produzir muito hoje é, pontualmente, socorrer-nos de um conjunto de contatos, de pessoas profissionalmente muito competentes, que me podem ajudar a desenvolver uma determinada tarefa. E como podemos fazer com que isso aconteça?

Primeira passa por uma mudança de atitude da nossa parte, tornarmo-nos mais abertos, dispostos ajudar os outros, partilhar tudo aquilo que sabemos, não esconder o nosso conhecimento. Isso permite-nos criar uma rede de pessoas gratas que terão todo o gosto em nos ajudar numa próxima oportunidade. Se pelo contrário optarmos por nos fecharmos, usar subterfúgios para não partilhar, dizer só pela metade aquilo que sabemos isso não nos irá beneficiar em nada, ficaremos somente reis da nossa pequena quinta e perdemos a força de trabalho de um conjunto de pessoas e isso chama-se ingenuidade.

Em tempos passados, na Industria, as pessoas com mais conhecimento, usavam a ocultação como método base para proteger o seu lugar, a sua função. Claro que conseguiam ter sucesso em muitas situações, mas por vezes alguém quebrava essa barreira e acabava por os suplantar. Nos dias de hoje isso não é uma atitude inteligente para quem deseja liderar. Liderar, significa partilhar, disponibilizar tudo aquilo que sabemos, por dois motivos, o primeiro porque mais tarde podemos dispor da capacidade produtiva daqueles a quem ajudamos em tempos e o segundo motivo, talvez o mais importante para quem aspirações de liderança, esses a quem ajudamos estarão sempre num caminho conhecido por nós.

Por vezes queixamo-nos da falta de motivação e que essa falha se deve a alguém. Nada tão errado, a motivação tem que ser algo intrínseco, muito nosso mesmo, é algo demasiado importante nas nossas vidas para a entregarmos na mão ou na responsabilidade de alguém. Temos que procurar essa característica rara em Portugal que é a automotivação permanente. Nada, nem ninguém pode impedir-nos de quer ser sempre melhores, mesmo que que por vezes nos possamos sentir pontualmente injustiçados pelo meio envolvente. Se lutarmos sempre por ser cada dia melhores a nossa recompensa acabará por chegar. Andar permanentemente de mau humor, não ajuda mesmo nada, até porque todos sabem que muitas vezes isso é para esconder uma tremenda falta de confiança. Devemos manter sempre um espirito alegre, gostar de correr riscos e não temer demasiado a derrota, perder também faz parte dos campeonatos e aprender a gostar de perder é uma coisa que todos podemos alcançar. Algo que corre mal normalmente traz-nos muito mais aprendizagem e temos reconhecer a valorizar isso. Claro que ninguém gosta de permanente de perder, mas quando isso acontece de forma muito espaçada no tempo é aprendizagem pura, é um sinal de alerta para que nos mantenhamos atentos ao nosso trabalho. As pessoas motivadas estão sempre sedentas por novos conhecimentos e acreditam que qualquer frustração proveniente do trabalho será recompensada pelas novas aprendizagens. Arriscar deve fazer parte do nosso ADN, procurar situações de desconforto, daquelas que nos fazem estar de novo em alerta. Sabemos que todos nós tendemos a não fugir da nossa zona de conforto, mas isso normalmente não nos traz nada de novo, tudo se torna demasiado previsível e aí deixamos de evoluir, deixamos de crescer e estagnamos. Tem momentos na vida que mudar é preciso, fazer novas travessias e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.

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